Anualmente o empresário John Brockman, mentor da Edge Foundation formula uma pergunta via Internet, a uma vasta rede de cientistas, intelectuais e artistas e divulga as respostas no ” The World Question Answer”.
Qual a invenção mais importante dos últimos 2 mil anos?
O que você acredita ser verdade, mas não tem como provar?
O que mudou sua cabeça nas últimos tempos?
Que inventos ou ideias científicas poderiam mudar tudo a nossa volta?
Livro: Como a mente funciona Autor: Steven Pinker
Algumas respostas…
A Internet mudou o modo de organização de materiais.
Ainda somos o que milhões de anos de seleção natural forjaram lembrando alguns alheios ao mundo virtual, que não obstante pensam do mesmo jeito que os internautas.
Ainda é cedo para dizer.
Ainda precisamos descobrir o preço da onisciência.
A Internet é ótima para pessoas desorganizadas (apegada a anotações e recortes de jornais e revistas, que sempre receiam perder, e às vezes perde).
Meus dedos agora fazem parte do meu cérebro (consequências cognitivas dessa incorporação).
O celular afetou mais o cotidiano das pessoas do que a Internet.
É o fim de quase tudo, de uma tabula rasa de todo e qualquer artefato impresso.
Os jornalistas terão o mesmo destino que tiveram os limpadores de chaminé, e para os livros, a mesma sorte dos códices e papiros. Na Wikipedia o livro aparece apenas como um verbete.
Livro: You are not a gadget: a manifesto Autor: Jaron Lanier
“A nova e radical epistemologia que desmonta nossa habitual maneira de pensar, desafia nossas antigas certezas e estimula o compartilhamento de sabores e o surgimento de um: consciente coletivo”
John Brockman
Uma das maiores realizações da espécie humana.
Imprecisão das informações veiculadas.
Navegar pode ser viciante e muitas vezes uma ” prodigiosa perda de tempo” por encorajar o hábito de borboletar de tópico em tópico, em vez de explorar uma coisa de cada vez.
Penso mais rápido atualmente, mas a Internet não afetou minha maneira de pensar. Ainda não senti uma epifânia diante do monitor.
Minha vida e minhas ideias sempre foram afetadas por pessoas, lugares e experiências não virtuais – e assim continuam.
Inegável importância na luta pela liberdade em regimes autoritários, no socorro às vítimas de tragédias naturais e até no registro de ações criminosas.
Virou um reflexo das misérias do mundo, um ambiente dominado por russos, ucranianos, nigerianos e outros traficantes de vírus, spams e ladrões de senhas.
A Internet é como a maçã do gênese, o fruto proibido do saber. Mas não tem certeza se viverá o bastante para descobrir se ela, afinal, nos levará ao paraíso ou ao inferno.
A Internet roubou meu corpo, que hoje é uma forma sem vida curvada diante de um monitor.
Aumentamos o nosso poder de decisão e aprendemos usar o tempo de forma mais eficiente, navegando na infovia.
Ficou ” mais esperto” e fez da Internet a sua memória e do navegador uma extensão do seu corpo.
Minhas sinapses melhoraram bastante, o raciocínio digital aprimorou-as.
Um cineasta vanguardista produz imagens sem se preocupar com os problemas habituais de distribuição.
Orgulha-se de ter passado a pensar mais em termons de “ambos/e” do que “e/ou” e “nem/não”.
A Internet ensinou a definir melhor, evoluir e crescer. Ela é social, um modo de vida, contextualizada e traz felicidade.
A vida online nada tem de solitária.
Se o tema do Iluminismo foi a independência, o da Internet é a interdependência. Estamos todos conectados, humanos e máquinas. Chegamos à era do enredamento.
Descrê de mudanças em nossa maneira de raciocinar, mas não em nosso modo de agir.
Incentivo da Internet à generosidade e ao altruísmo, mas se queixa de um efeito colateral: fiquei mais impulsivo.
Piorou meu caráter. Virei um ressentido, um reacionário.
Suspeita que a Internet acabe impondo um novo Darwinismo, um novo tipo de seleção natural, não dos mais fortes, mas do mais atentos, dos que possuem maior poder de concentração e filtragem de dados.
Ciberlumpenproletariano, na qual enquadra todos aqueles engolfados pelo tufão dos sites de fofocas, dos videogames idiotizantes, dos blogs populistas e xenófobos e das rede sociais dominadas por bullies e cretinos.
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas.
Cada pisco é um dia.
Pisca e mama; Pisca e anda; Pisca e brinca; Pisca e estuda; Pisca e ama; Pisca e cria filhos; Pisca e geme os reumatismos; Por fim pisca pela última vez e morre.
Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muitas maiores diferentes e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total.